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05 fevereiro 2013

not funny



Cair nas escadas do metro, cheia de sacos e com um filho pelas mãos, não tem piada nenhuma!
Primeiro porque ninguém quer saber, até podem perguntar “ está bem?”, mas assim que que percebem que podes falar e pegar no telemóvel, simplesmente vão-se embora! Segundo, porque, enquanto estás à espera de ajuda (e o meu maridinho veio me salvar), fica-se ali, sentado nas escadas mais imundas, ao frio… -6 C …bbbbbrrrrrrr
Terceiro, porque sabes que isto é só o inicio….oh shit happens!
Bem, mas como bom português posso dizer, bem, podia ter sido pior! Não está partido, só uma ligeira rachadela, e vou ficar em casa apenas por uma semana! “Podia ter sido pior!”


Falling on the subway stairs, full of bags and with a son it’s not funny at all!

First because no one cares much, they may ask: “are you ok?!” and as soon as they see you can talk and you are looking for your cell phone, they just leave!

Second, because, while you wait for your rescue (and by husband came back to rescue me), you just stay there, sitting on the most dirty stairs, on the cold …. With 21 F…bbbrrrrrr

Third, because you know that is just the beginning…oh shit happens!

Well as good typical Portuguese I can say, well, it was not so bad! It’s not broken, just a little crack, and I will have to stay home for a week!

“Could be worst!”

08 novembro 2007

o metro

O que seria de uma grande metrópole sem metro? Não me refiro a questões tão obvias e práticas como transporte e deslocação das massa trabalhadoras, refiro-me a uma questão mais profunda no âmbito social e criativo… não sei se me faço entender. Ponho a questão de um modo diferente, seria possível tanta criatividade, concentração de artistas de todas as áreas numa grande cidade se não houvesse o metro? É que é no metro que tudo acontece. Vêm-se as pessoas mais diversas, houvem-se as histórias mais incriveis, conhecem-se os loucos que o habitam, os sem abrigo, intrigas familiares, actos policiais mais ou menos violentos, a excentricidade ou simplicidade de cada pessoa…um mundo! Através do metro e das zonas por onde passam percebe-se que tipo de bairro servem, quem são os habitantes desses bairros, quais as comunidades mais comuns daquelas zonas…e tudo isto é possivel sem nunca sair do metro. Tudo acontece lá dentro.
Qualquer artista, pintor ou escultor, cineasta ou actor, realizador, escritor ou estilista, músico ou apenas um simples utente do metro que goste de contar histórias no seu blog, tem ali uma verdadeira fonte de inspiração, com a grande vantagem de ser um percurso diário, uns dias com mais para contar outros menos, mas sempre um meio presente.Por isso há dias que digo que adoro o metro, mas também os há que o detesto! Nem sempre tenho pachorra para levar com uma enchurrada de insparação á força!

09 maio 2007

stay clear of the closing doors

Numa cidade de oito milhões é possível cruzarmo-nos com as mesmas pessoas mais do que uma vez por dia! Mesmo que elas não sejam a rapariga da caixa registadora do café da esquina, ou aquele senhor que se senta sempre no mesmo banco da carruagem do metro todas as manhas, mesmo que não sejam aqueles que trabalham no mesmo edifício que eu.
Por vezes vejo a mesma cara no mesmo dia em lugares completamente diferentes, em percursos que nem fazem parte da minha rotina.
Também existem aqueles que fazem parte da rotina, claro. Para além de rostos há vozes. As vozes que se repetem ao telefone e que se reconhecem, já falei sobre isto, e há as vozes dos condutores do metro!
Algumas destas vozes já as reconheço, e são gente cheia de personalidade. A eles compete controlar a entrada e saída dos passageiros em cada estação, avisar do fecho das portas "stay clear of the closing doors, please", comunicar paragens temporárias no meio das linhas e justifica-las, "we have a train ahead of us, please be pacient", advertir os passageiros para serem limpos e educados, para não segurarem nas portas, "do no hold doors", para deixarem sair quem está na carruagem antes de empurrar a malta para entrar á força…enfim. E’ tudo muito pessoal e humano. São poucos os metros com máquinas faladoras de vozes monocórdicas.
Pela voz, entoação e disposição se distinguem estes condutores. Eles há bem dispostos, mal humorados e alguns que pensam estar a pilotar um avião…”Ladies and gentlemans, it’s now 8 ‘oclock in the morning, the weather is nice and warm, have a safe day”… só lhe falta dizer a quantas milhas de altitude estamos (abaixo da terra, claro)!

24 janeiro 2007

e o dia acaba bem







Depois de um dia cansativo com umas horas a mais de atelier, a rotina continua. Encontro-me no metro a caminho de casa, como todos os dias, o metro vai cheio e a expressão de todos os rostos é a mesma… um cansaço misturado com o desejo de chegar a casa.


Entre muita gente um típico latino-americano, baixo, robusto de pele morena, segura na sua guitarra acústica e prepara-se para cantar… coloca a voz e … até me arrepiei!


A voz dele encheu a carruagem, deixaram de se ouvir os ruídos do metro já à superfície. Ao fundo viam-se as janelas cintilantes dos arranha-céus da cidade sob o fundo negro da noite ao som de uma balada em espanhol. Uma letra bonita, uma voz maravilhosa e, subitamente, a carruagem passou a ser palco e plateia... e veio o sorriso.


No fim, o rapaz ao meu lado chamou o artista, “Senhorrrr”, deu-lhe um dólar. Fiz o mesmo e agradeci-lhe pelo momento : “Mui bonito”!

20 novembro 2006

ainda sobre o metro ... a história da Diana


fotografia de Elisabete Duarte

Já que este blogue é sobre Nova Iorque e sobre o que por aqui acontece, dia-a-dia, cá vai mais uma pequena história sobre uma coisa que me aconteceu no metro.
E que nós, portugueses, achamos que só no nosso país que é muito pequenino é que acontecem coincidências destas que vos vou contrar. Pois nesta cidade, do outro lado do Oceano, descobre-se que afinal o “mundo” é muito pequenino, não é o nosso país!
Sentada no metro a caminho do trabalho, na segunda estação do metro após aquela onde o apanho, senta-se uma rapariga ao meu lado que me ouve falar português.
_Eu também sou portuguesa_diz ela.
Conversa puxa conversa e somos praticamente vizinhas em Astoria, Queens!
Depois perguntou-me: _De onde és?
Do Seixal_ respondi. a cara dela fez uma expressão tão estranha que resolvi generalizar, _Bem, fica nos arredores de Lisboa!
Gaita!_responde ela_ é que eu sou do Fogueteiro!

Bem… andámos na mesma escola secundaria, e até tivemos os mesmos professores. Por acaso naquele dia ela sentou-se ao meu lado no metro.
Agora os meus pais estão em Portugal e vieram a conhecer os pais da Diana no café do Sr. Miguel, aquele que fica na rua dos Correios, como lhe chamamos só porque os correios ali estão e não porque seja o nome da rua, ou não fosse o café que todos nós sempre frequentámos em tempos que já lá vão!

Mais uma amiga portuga nestas terras.Curioso, não?!

14 novembro 2006

de caras com a realidade

O metro desta cidade é impressionante. Primeiro pelos seus 100 anos acabadinhos de fazer. Já daí se percebe os problemas que o envolve, as obras constantes, a manutenção que aos fins-de-semana altera todo o mapa, a linha verde corre na azul, a vermelha fecha, a cinzenta só faz metade do percurso e por ai adiante.
Algumas das estações são mesmo imundas, outras tais que até disfarçam bem, mas nenhuma escapa aos seus habitantes comuns e permanentes de dimensões consideráveis, ratos e ratazanas com fartura!
A diversidade das linhas também é de considerar. Existem diferentes cores, dentro da mesma cor números e letras diferentes, cada uma tem percursos diferentes, mas muitas delas fazem o mesmo percurso numa determinada parte da cidade, há uns que são expresso e não param em todas as estações e ainda os locais que param em todas.
Percorrem do mais longínquo ponto de Brooklyn, passando pela famosa Manhattan, até ao ponto mais recôndito de Bronx ou Queens. Muitas regras e ainda mais excepções às regras! Parece confuso mas com a prática deixa de o ser.
A diversidade dos utilizadores do metro também é considerável. Pessoas de todas as cores e tamanhos, diferentes formas, bonitos e feios, pobres e ricos! E se lá de vez em quando acontece te cruzares com uma cara famosa também acontece que te aparece pela frente a verdadeira realidade dos arredores desta cidade.

Estava eu sentada no metro que partia do aeroporto, em Brooklyn, atravessando a cidade, a caminho de casa, em Queens. Já lá vão cerca de dois meses que isto se passou.
Ao meu lado uma rapariga nova com três filhos, duas meninas e um menino com idades entre os cinco e sete anos, faziam o mesmo percurso que eu.
Aparentemente uma família típica dos subúrbios muito pobres. Uma mãe de poucos sorrisos, cabelo apanhado, argolas douradas gigantes, casaco de cabedal preto com desenhos pespontados a branco, enorme, calças apertadas de ganga e botas amarelas que parecem as botas dos trolhas! A imagem típica de uma miúda de bairro de Brooblyn profundo.
As crianças irrequietas olhavam pela janela enquanto o metro passava pela superfície. Ao entrar para o nível subterrâneo lá sossegaram e as meninas acabaram por cair no sono vencidas pelo cansaço.
Foi então que o menino decidiu sentar-se ao meu lado, pulou para o banco sem pedir licença, bateu-me com as botas pesadas e … a mãe repreendeu-o educadamente e mandou-o pedir-me desculpa. Coisa rara, é de louvar a educação que é escassa nesta terra.
Assim que meti conversa com o menino a realidade apareceu-me bruta e crua à minha frente:

_ O meu nome é Brandon! A minha irmã chama-se Melissa e a outra é Jessica.
Depois seguiu-se o nome pelo qual chamavam a mãe e o nome verdadeiro da mãe, _ sim, porque ela tem um nome verdadeiro, mas ninguém sabe, mas eu sei.
_ e eu também tenho um pai, ele não esta aqui, mas eu tenho um pai. A polícia levou-o, eu vi! Mas ele não está na prisão, a minha mãe diz que ele está na casa de um amigo.
… e agora? O que é que eu digo? A mãe nem o repreendeu… o que é que eu lhe digo? …”ahhhh muito bem….” Não posso dizer isso, não posso dizer nada…. Mas tenho que dizer alguma coisa…
_ Então tens que fazer um desenho para enviares ao teu pai! Sabes fazer desenhos?!
…puff, desta safei-me.

Depois ele contou-me onde morava e que estava a mudar de casa e que a mãe estava a mudar de trabalho, e que fazia desenhos de cores nos papéis brancos…a vida dele numa viagem de metro que poderia ser uma passagem de um filme, daqueles que só costumamos ver na televisão.

03 agosto 2006

surreal

Como todas as manhas ja veem a ser habito, sentada no N ou W train desde a Ditmarts station, lia o meu livro, ‘As Loucuras de Brooklyn”. Entretida com a vida da irma do Tom, uma das personagens do livro, nao me apercebi de grande parte do percurso. Esta linha de metro em Queens e’ feita pelo exterior. Viajamos a um nivel mais alto, ao longe ve-se o perfil da cidade, o sol bate nas costas. Antes de atraversarmos para Manhattan o metro afunda no tunel, um tunel estreito com apenas uma linha.
Foi neste momento que deixei de ler! As luzes hoje nao acenderam. De repente tudo estava escuro. Fechei cautelosamente o livro, agarrei bem na mala e senti um pouco de medo, uma certa inseguranca. As luzes que nos iluminavam eram apenas aquelas que pertencem a’ iluminacao do tunel, pontuais, ora cor de laranja ora azuis. Ao mesmo tempo que aquele ambiente escuro me afligia , aquelas luzes cintilantes que iluminavam pequenas partes dos corpos e do espaco fizeram-me lembrar uma dicoteca, fascinava-me. … uma discoteca sem musica, um silencio cauteloso de quem quer ver com o que ouve.
“Parece que fazemos parte de uma filme, isto podia ser uma excelente fotografia para um filme”… disse o Nuno.
A’ chegada na primeira estacao, ja do outro lado, acenderam-se as luzes, finalmente.Retomei entao a conversa entre Tom e o seu tio Nathan.

12 abril 2006

L train

As manhas no metro sao sempre uma surpresa.
Independentemente das horas, sejam elas 8h00, 8h30 ou 9h00, tanto posso encontrar o “L train” a abarrotar de gente, como vazio, ja’ para nao falar daquelas vezes em que passam um cheio, passam dois, tres e so entro a’ quarta vez porque as pessoas que estam atras de mim ficam tao impacientes que empurram a toda a forca as que estao a’ frente… ai nao ha’ hipoteses, queiras ou nao vais parar a la’ dentro… nao sei como e’ que num aparente espaco enexistente cabem mais uma meia duzia!
Ao fim do dia, de volta a casa, a estoria e’ outra. O “L train” esta’ sempre cheio. Tenho vindo a aperceber-me que quando estou na plataforma a’ espera do metro no sentido de Brooklyn ha’ algumas pessoas do mesmo lado da plataforma que resolvem ir apanhar o metro no sentido oposto. Ora isto nao fazia sentido nenhum na minha cabeca. Pois se estao a’ espera de um comboio para Brooklyn como e’ que e’ possivel mudarem de ideias de um momento para o outro e irem para o lado Oeste de Manhattan??!! Foi entao que se me deu um clik, claro, a estacao de onde parte o “L train” e’ a duas estacoes a Oeste de Union Square, onde estamos uns milhares de residents de Brooklyn a’ espera. Pois estes espertinhos vao apanhar lugar na origem e quando chegam a Union Square ainda la’ estamos nos, os parvalhoes, a olhar para a carruagem a rebentar pelas costuras!… agora ja’ sei!
Ontem nesta mesma estacao, as 7horas da tarde , chega o metro, para nao variar a abarrotar de freaks ( habitants tipicos de Brooklyn mais propriamente Williamsburg), abre-se as portas e alguem atras de mim conta o numero de pessoas que sai la’ de dentro:One, two… e depois sinto um empurram enorme e ja’ la’ estamos todos dentro nao sei como… o mesmo acrescenta “ two equal to ten”!!!!