15 setembro 2006

The Shape of Things


Fui ver esta peça de teatro! Adorei.
Surpreendeu-me o fim, sem dúvida, com grande sentido crítico sobre a sociedade de opiniões e preconceitos, sobre o que somos e o que gostamos, o que defendemos e como nos relacionamos com os demais.
Muito bem representada por quarto actores jovens de talento notável. Cenário simples e eficaz…lá andavam mais quatro marmanjos a rodar umas supostas paredes a trazer e levar a mesa ou o sofá, ou as cadeiras…pequenos objectos que iam e vinham ao longo da peça.
Quatro personagens, dois casais, e a arte como assunto de ponto de partida…e chegada!
Cada uma das personagens com a sua personalidade muito delineada, a artista dominadora de opiniões e revolucionária para quem não existem quaisquer convenções ou preconceitos. O namorado dela, um rapaz submisso que faz tudo para a agradar e que não tem opinião própria. O amigo deste um convencional e conservador do pior que julga tudo e todos e ainda é um trapaceiro de primeira tentando sempre apanhar na esparrela quem lhe passava pela frente. E a namorada deste último, uma menina doce de bons sentimentos com uma tremenda falta de cultura.
Todos tinham o seu ponto de vista e até estavam certos, sem dúvida…até ao momento em que cada um comete um erro tremendo e irreparável, pelo excesso da sua personalidade e da defesa dos seus valores.No fim todos ficam sós e descobrimos que o grande amor desta história não passou de um objecto de arte. A grande artista usa o seu namorado ao ponto de o transformar de tal forma que passa a apresentar isso mesmo como o seu trabalho de final de ano. Fica a questão: até que ponto a arte é arte quando esta não identifica limites e deixa de respeitar a vida e a liberdade de uma pessoa assim como transforma todas aquelas vidas que a essa estão ligadas, e até que ponto as relações entre os seres não são uma verdadeira obra de arte?

1 comentário:

boleia disse...

bolas... acho que aqui nao chegam artes dessas...
Mas so a historia ja me encantou...
Beijocas